19 Maio, 2008

ligeiramente
















pequenas coisas que demonstram inabilidade

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– deixar cair o garfo, tropeçar ligeiramente na cadeira, embater de lado na mesa, deixar os óculos escuros numa mesa qualquer, olhar o pé e ter uma malha do tamanho da A1, cantarolar a atravessar a rua, esquecer-se das chaves do carro, colocar o açúcar no cinzeiro...

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pequenas coisas de um escapar-se, de uma narrativa outra contada a si mesma, nos tempos emaranhados

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pequenas coisas que semeiam um sorrir-se para dentro, de se reconhecer no inábil com a destreza mental que falhou no gesto

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pequenas coisas, modulações interiores de um timbre silencioso que assim se escapa e se agita ao mundo

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ligeiramente inábil... un peu maladroit, jusq'un petit peu...

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viajados de ontem e de hoje























re-vê-los é voltar a elegê-los....
Os especiais entre os diferentes, preferidos simplesmente.

Storm e Wolferine.
Wolferine e Storm.
Storm. Wolferine.

28 Abril, 2008

do surreal






















Amita Memoria e The Two,
Vladimir Kush

Quando o surreal tem travo de metáfora e sabor a fantástico...

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passeios surreais

















Foi um reencontro. Quase acidental, com Vladimir Kush.

No esvoaçante do tempo, a Vida, soprada além da Vontade.

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06 Abril, 2008

Flash # 68




















"Woman Resting With Book"
Chen Bolan



Um livro um navio
Que nos leva pelos mares
Que nos transporta pelos ares
Como navegando num rio.

poema infantil




04 Abril, 2008

porque prefiro a mitologia...





















Na mitologia, o Tritão era um deus marinho, filho de Poseidon (Neptuno, se se preferirem os romanos) e de Anfitrite; geralmente representado com cabeça e tronco humanos e cauda de peixe (uma forma semi-píscea e semi-humana). Era mensageiro de Poseidon e, assim, o arauto do mundo formal.

Hoje, é masculino de sereia...

Na mitologia, a sereia perdeu as penas por vingança das musas, ganhou uma cauda de peixe e simbolizava a tentação (Ulisses que o diga, que se mandou amarrar ao mastro do navio e tapar os ouvidos dos marinheiros), particularmente da luxúria e da vaidade (daí o pente e o espelho na mão). Atraía com a beleza e a melodia para, em seguida, arrastar ao mar.

Hoje, é a pequena Ariel...

E seguram aquários, com peixes azuis...

03 Abril, 2008

elogio da insanidade # 9
















Há uma ideia interessante, de que de acordo com complicadas explicações espaço-tempo, podem existir universos alternativos...

Nuns episódios de StarGate isso é explorado e achei potencialmente interessante que uma outra Eu num outro universo tenha seguido caminhos completamente diferentes.
Uma, não. Muitas, pois a teoria diria «infinitas» possibilidades.

Pena que não possam encontrar-se na mesma linha espaço-tempo.
Mas podemos trocar, se descobrirmos como.
Ah! um stargate mesmo...

28 Março, 2008

Flash # 67





















Vento, céu de chumbo, tons agrestes.
Mulher, rosto ocultado, representando o humano.

E a imagem passa serenidade....

25 Março, 2008

metáfora # 65















palácios e casebres

nos mesmos sítios,

de modos semelhantes,

abrigam.

24 Março, 2008

de viagens e paragens....




















A Voz em Fuga celebra quatro anos.
Tive a sorte de cruzar aquele sítio, antes de ter aberto os E&L, com conta no Blogger mas sem me ter decidido pelo nome... Volto lá muitas vezes, ainda que nem deixe reflexos.

Ao contrário da Viajante, que oscila, ora está, ora se ausenta, conto com a Hipatia sempre por lá.
E sendo certo que o aniversário é dela, os parabenizados são os que leêm a Voz.

No mínimo, um ramo de flores - que pretendi diferentes, entre o silvestre e o delicado, a fugirem dos tons mais habituais.

Parabéns, Hipatia.

elogio da insanidade # 8














Não tenhas medo do que não conheces
- às vezes, o conhecido é muito mais aterrador.

Flash # 66





















Bouguereau tem sempre um «je ne sais quoi»,
para além do minucioso, da frescura e da leveza do que pinta.

Há mitos que se leêm renovados nas pinturas de Adolphe-William...
Idílios.

20 Março, 2008

Paráfrases















É no momento que encerra a beleza de um gesto

que se prolonga a vida -

(...)

Agora, pode pintar-se o retrato do vento

no esquadro da janela. O tempo não se mexe.
A vida, por um instante, é enorme.

Maria do Rosário Pedreira

O Canto do Vento nos Ciprestes



É no momento indizivel que se prolonga a beleza de um gesto.
Um lento esvoçar de mão torna-se raiz do tempo,
afago de singeleza que deixa rasto fundo, vinco em pedra.

É no momento exacto em que me sorris
que me sinto alongar no tempo e na distância.
A vida é enorme quando me chamas e
na pequena palavra se agregam os sentidos de existir.


(foto aqui)

nãos de uma identidade





















Não sou quem pensas. O neu nome não é esse.
Por isso, os comentários aqui deixados só servem para depurar a tua alma do veneno.
Não na fonte certa.
Não à pessoa a quem se destinam.
Ao menos o facto poupa a destinatária.
Não ilude, porém, o engano.

Não sou, realmente, quem pensas.
E a bem da tua alma, bem podias passar adiante.

09 Março, 2008

poema recolocado













A invenção do amor




Em todas as esquinas da cidade
nas paredes dos bares à porta dos edifícios públicos nas janelas dos autocarros
mesmo naquele muro arruinado por entre anúncios de aparelhos de rádio e detergentes
na vitrine da pequena loja onde não entra ninguém
no átrio da estação de caminhos de ferro que foi o lar da nossa esperança de fuga
um cartaz denuncia o nosso amor

Em letras enormes do tamanho
do medo da solidão da angústia
um cartaz denuncia que um homem e uma mulher
se encontraram num bar de hotel
numa tarde de chuva
entre zunidos de conversa
e inventaram o amor com caracter de urgência
deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia quotidiana

Um homem e uma mulher que tinham olhos e coração e fome de ternura
e souberam entender-se sem palavras inúteis
Apenas o silêncio A descoberta A estranheza
de um sorriso natural e inesperado

Não saíram de mãos dadas para a humidade diurna
Despediram-se e cada um tomou um rumo diferente
embora subterraneamente unidos pela invenção conjunta
de um amor subitamente imperativo

Um homem e uma mulher um cartaz denuncia
colado em todas as esquinas da cidade
A rádio já falou A TV anuncia
iminente a captura A policia de costumes avisada
procura os dois amantes nos becos e nas avenidas
Onde houver uma flor rubra e essencial
é possível que se escondam tremendo a cada batida na porta fechada para o mundo
É preciso encontrá-los antes que seja tarde
Antes que o exemplo frutifique Antes
que a invenção do amor se processe em cadeia

Há pesadas sanções para os que auxiliarem os fugitivos
Chamem as tropas aquarteladas na província
Convoquem os reservistas os bombeiros os elementos da defesa passiva
Todos decrete-se a lei marcial com todas as consequências
O perigo justifica-o Um homem e uma mulher
conheceram-se amaram-se perderam-se no labirinto da cidade

É indispensável encontrá-los dominá-los convencê-los
antes que seja tarde
e a memória da infância nos jardins escondidos
acorde a tolerância no coração das pessoas

Fechem as escolas Sobretudo
protejam as crianças da contaminação
uma agência comunica que algures ao sul do rio
um menino pediu uma rosa vermelha
e chorou nervosamente porque lha recusaram
Segundo o director da sua escola é um pequeno triste inexplicavelmente dado aos longos silêncios e aos choros sem razão
Aplicado no entanto Respeitador da disciplina
Um caso típico de inadaptação congénita disseram os psicólogos
Ainda bem que se revelou a tempo Vai ser internado
e submetido a um tratamento especial de recuperação
Mas é possível que haja outros É absolutamente vital
que o diagnóstico se faça no período primário da doença
E também que se evite o contágio com o homem e a mulher
de que fala no cartaz colado em todas as esquinas da cidade

Está em jogo o destino da civilização que construímos
o destino das máquinas das bombas de hidrogénio das normas de discriminação racial
o futuro da estrutura industrial de que nos orgulhamos
a verdade incontroversa das declarações políticas

...

É possível que cantem
mas defendam-se de entender a sua voz Alguém que os escutou
deixou cair as armas e mergulhou nas mãos o rosto banhado de lágrimas
E quando foi interrogado em Tribunal de Guerra
respondeu que a voz e as palavras o faziam feliz
lhe lembravam a infância Campos verdes floridos
Água simples correndo A brisa das montanhas
Foi condenado à morte é evidente É preciso evitar um mal maior
Mas caminhou cantando para o muro da execução
foi necessário amordaçá-lo e mesmo desprendia-se dele
um misterioso halo de uma felicidade incorrupta

...

Procurem a mulher o homem que num bar
de hotel se encontraram numa tarde de chuva
Se tanto for preciso estabeleçam barricadas
senhas salvo-condutos horas de recolher
censura prévia à Imprensa tribunais de excepção
Para bem da cidade do país da cultura
é preciso encontrar o casal fugitivo
que inventou o amor com carácter de urgência

Os jornais da manhã publicam a notícia
de que os viram passar de mãos dadas sorrindo
numa rua serena debruada de acácias
Um velho sem família a testemunha diz
ter sentido de súbito uma estranha paz interior
uma voz desprendendo um cheiro a primavera
o doce bafo quente da adolescência longínqua

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Daniel Filipe

08 Março, 2008

interlúdios luminosos


















Por momentos, sinto-a.
Uma paz infinita que me transforma em partículas flutuantes.

Respiro fundo, como se fosse eterna a contemplação.
Poderia voar ainda que por breves momentos.

Sorrio e inspiro. Abro os olhos.
Tudo está lá, na mesma.


(Instantes de Luz, Royo)

01 Março, 2008





















Imagino-te sentado, meditativo, imerso
...em navegações
... em memórias

Imagino-te, tão somente.

E porque me sentes e me sabes,
erguerias as mãos
no contorno de um rosto imaginário.

Perguntas-te o que me pergunto.
Perguntas-me por um nós.

Imagino-te, indagador.

E sorrio ao meu Eu
que só existe nesse nosso mundo

paralelos





















gotas de chuva
portadoras de frescura

lágrimas
aportam leveza

gotas de chuvas
cristais de vida

lágrimas
gotejar de alma

26 Fevereiro, 2008

eco






o poema
Houvesse luar lá fora...







Apetece
colocar
de
modo
que
indague
um
houvesse luar cá dentro...


20 Fevereiro, 2008
















a fragilidade do belo

a beleza peculiar do frágil

19 Fevereiro, 2008



















Há momentos....
que se imobilizam guardados na alma.
Não são tocáveis, nem contáveis, nem narráveis.
E se tentarmos descrevê-los empalidecem e murcham.

Há momentos....
que perduram porque são de uma dimensão indizivel.
Aquela dimensão rara, dir-se-ia,
em que se é Si mesmo e se está bem, refrescado e em paz.

Há momentos...
que se revêem sem se reacontecerem
e, mesmo assim, acontecem cada vez que se reolham.

inspirações

















Hugo Simberg, The Wounded Angel, 1903.
aqui.

Depois, a inspiração familiar no video







e tanto a dizer sobre nós, seres humanos.
Todos, dos que levam a padiola aos que ateiam o fogo.
Diversos modos de modos de ser.

dá que pensar...

18 Fevereiro, 2008

livro em viagem





















".. não queria querer-te tanto. (...)

Repito que não quero querer-te
e já te quero mais quando acabo de o repetir"

Inês Pedrosa, A Eternidade e o Desejo

olhe(-se) lá....
















Nem via por onde andava.
Vinha simplesmente andando adiante.
Como que numa espécie de enxurrada interior, de um imaginário ombro a embater numa porta fechada. E os gonzos nem estremeciam...

Nem olhava para os outros, os transeuntes.
Quem a visse, passo certo, cortando através da multidão incauta, não poderia adivinhar a turbulência interior.
Movia-se como quem sabia para onde ia mas o olhar tinha perplexidade da estranheza.

17 Fevereiro, 2008

quizzing...




Your Personality is Very Rare (INTJ)



Your personality type is logical, uncompromising, independent, and nonconformist.



Only about 3% of all people have your personality, including 2% of all women and 4% of all men.

You are Introverted, Intuitive, Thinking, and Judging.

How Rare Is Your Personality?

ora aí está um resultado que faz sorrir a começar o dia....

11 Fevereiro, 2008

há dias assim...



















... de um luminoso que estonteia,
de um aroma no ar com odores de atalhos vividos,
de uma brisa leve, acariciadora.

.... há dias assim,
de música na alma e
a pele tinindo como cordas de violino.

há dias assim,
... e o mundo à volta é todo da forma de um sol
cheirando a flores amarelas.

05 Fevereiro, 2008

paráfrases

















Para ele, as árvores morrem de pé.
A imagem trouxe de lá - fabulosa!

nascemos sós e sós morremos
até as árvores

Morrer por morrer, que seja de pé.
Ainda que deitado, de espírito erguido.
Mesmo que de rojo, de alma levantada.

é parte da condição de Ser,
Intacto, é escolha.

Já que não imortais, e havemos de morrer,
sós e íntegros.. há melhor modo ?

04 Fevereiro, 2008

elogio da insanidade # 7














Mar plano.
Gaivota em voo.
Cadeira de salva-vidas vazia.

Boa altura de se ir ao mar.
Ou de se sentar a guardar a vida.

encontros









Há invasões lentas que enganam os desavisados... Disse-me, com tom solene, que é preciso ter cuidado, que se entranha. Que se deseja o encontro e se fica suspenso dos momentos partilhados. Disse que devia ter cautela, que acontecia sem se perceber.
Permiti-me duvidar.
E ela riu-se de mim e do meu trejeito céptico, com uma condescendência simples.
Diz-me que há fome de partilha, de comunhão do sentir. E que quando se percebe, já as raízes ávidas ocuparam o solo e o ar. Então, quase em murmúrio, contou-me uma história fantástica, de um amor inacreditavel. Que acabou em perder-se no silêncio.
Explico-lhe que não me parece que seja das que vivem assim. A sua límpida gargalhada ainda ecoa.

01 Fevereiro, 2008

elogio da insanidade # 6














Não falo mais de chuva, hoje...
Só de arco-íris.
Até os fungos o podem trazer, afinal.